Martin Parr em São Paulo
Acabei de chegar da palestra do fotógrafo Marin Parr que aconteceu no MIS (Museu da Imagem e do Som) em São Paulo.
Eu fui totalmente despretencioso para essa palestra, fui pela curiosidade de poder ouvir e ver de perto o trabalho de um fotógrafo da Magnum Photos. Conhecia muito pouco do seu trabalho, para falar a verdade fui saber um pouco mais sobre ele depois que fiquei sabendo que ele estaria dando palestra aqui em São Paulo.
Mas acho que não conhecê-lo foi um fator importante para eu assistir a sua palestra sem rótulos, eu não tinha nenhuma espectativa do que iria ver. Pra mim era tudo uma grande novidade. É diferente de quando vc vai assistir a uma palestra de quem vc já é fã e admira, vc já vai preparado para dizer amém para tudo. Mas no fundo fui com bons olhos, afinal de contas Martin Parr é um fotógrafo da Magnum.
Ele disse no meio da palestra que Cartier-Bresson ficava incomodado com suas fotos, e que ele ficou honrado em receber essa crítica do Bresson. E realmente, suas fotos tem alguma coisa que incomodam, mas não no sentido negativo, e sim porque elas te insitgam de alguma maneira. Durante a palestra eu disse no twitter: ” Martin Parr fotografa o cotidiano, algumas de suas fotos é o que vemos no Flickr hoje em dia (talvez alguns fotógrafos me critiquem aqui), de pessoas que tiram fotos despretenciosamente.” Só que ele fazia isso em uma época que esse real life não estava muito presente na fotografia, ele não fazia fotojornalismo, ele registrava o cotidiano, aquele sem graça, desde um prato de comida até a velha gorda tomando sol na praia.
A maioria das fotos em cores que mostrou na palestra eram sempre muito coloridas e bem saturadas, além disso ele usa o flash sem o menor pudor, é nítido o uso do flash como um recurso para deixar suas fotos mais trashes, como ele gosta. E ele realmente gosta do trash, ele gosta de fotografar o que muitas vezes a gente nem pensa em fotografar e muitas vezes não damos bola. Quando ele começou a fotografar, por exemplo, ele preferia fotografar o tempo feio da Inglaterra do que um céu azul, ele preferia fotografar a neve caindo usando flash para fazer efeitos inusitados do que fazer uma bela foto de algum lugar depois de uma nevasca, e por aí vai…
Seu trabalho tem acima de tudo humor e criatividade, que acho que foram os fatores importantes para o seu sucesso com fotos simples do cotidiano. Mas me perguntei durante a palestra, será que hoje ele faria o mesmo sucesso com esse tipo de fotografia, será que ele teria mercado para vender suas fotos e fazer o mesmo sucesso que ele fez na década de 80/90? Deixo aqui essa pergunta para quem conhece o trabalho dele e quiser responder.
Apesar de Martin não ter o estilo que mais gosto na fotografia eu gostei de conhecer mais sobre seu trabalho e sua história. É uma referência interessante.
Sobre Martin Parr
Cursou fotografia na Manchester Polytechnic (hoje Manchester Metropolitan University) nos anos 70. Desde então, já produziu quase 50 livros e teve seu trabalho exibido em aproximadamente 80 exposições individuais. Recebeu vários prêmios, entre eles o Dr. Erich Salomon, da Sociedade Alemã de Fotografia (2006), e o PhotoEspaña 2008, do Festival Internacional de Fotografia, concedido pelo conjunto da sua obra e por sua influência na fotografia contemporânea. Desde 1994, Martin é membro da Magnum Photographic Corporation.
Saiba mais sobre Martin Parr lendo sua biografia aqui, vendo sua galeria de fotos no site da Magnum Photos e pra completar o seu site pessoal.
9 Comments so far
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Recomendei na lista do Salvador Foto Clube!
Bjs
“Seu trabalho tem acima de tudo humor e criatividade, que acho que foram os fatores importantes para o seu sucesso com fotos simples do cotidiano.”
É isso!
Danilo,
Gostei de te ver por lá!
Martin Parr é o mestre maior da fotografia urbana. É o grande ídolo dos experimentalistas e fotógrafos de rua, que ainda acreditam que o olhar é capaz de superar megapixels e photoshops. Ele fez sucesso ontem, faz sucesso hoje, e fará sucesso sempre. Basta apenas que parem de prestar atenção em inovações tecnológicas e comecem a ver a arte de capturar a luz.
Me entristece ver que hoje os fotógrafos emergentes preferem exaltar os bons manipuladores aos bons artistas.
Obrigada Danilo… a cabeçuda aqui esqueceu da palestra.. culpa da famosa correria….
Abraço…
Acho que cada um tem seu estilo e seu jeito de “vender” aquilo. Já vi muitos editoriais de hoje em dia com a luz do flash dura e fundo preto… Assim como já vi fotógrafos que fazem fotos despretenciosas e levam alguma fama por isso. Tem espaço pra todo mundo, o importante é ter o diferencial!
Eu amo as fotos dele!! Sou grande fã e as fotos dele me isnpiram muito!!
Queria muito ter ido na palestra…uma pena que eu perdi!!
Olá!
Acho o trabalho dele mto bom!! Mto bom mesmo, mas a palestra de ontem, na minha opinião, foi bem mediana. Mega politicamente correta e cheia de “puxassaquismo”. Não gostei não… Valeu apenas para conhecer um pouco mais do trabalho dele.
Bjs
Carol
OBS – Eu estava no bate-papo online junto contigo tb e, inclusive, deixei meu desabafo sobre a péssima organização da palestra, minha opinião, no site do Garapa (blog q cobriu de maneira multimídia a palestra).
Oi Danilo,
Não nos encontramos não…
Eu cheguei lá 1h15min antes e estava lotado… daí voltei pra casa pra acompanhar pela internet!
Espero conhecer o famoso “lets vamos” em breve, hehe
Você já faz parte do meu dia-a-dia por causa do blog e principalmente do twitter.
Vou tentar estar mais presente nos comentários ok?
Fiquei feliz com sua visita no meu blog.
Bjs,
Lu