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Qual a diferença entre o charme e o funk?

Meu ilustre amigo Foresti escreveu para blog do Cavallini um texto que explica muito bem a nossa profissão. Surrupiei o texto pra cá para todos entenderem de vez a diferença entre designer gráfico e diretor de arte.

 

Qual a diferença entre o charme e o funk?
Quando o Cava me pediu pra escrever sobre a diferença entre o designer gráfico e diretor de arte, mais especificamente no ambiente de uma agência de publicidade, me lembrei deste famigerado funk. Me lembrei também do aperto que passo quando alguém da minha família pergunta o que exatamente eu faço em uma agência de publicidade. Se eu não faço os anúncios da TV nem os da Veja, sobra o que?

Bom, pra começar talvez antes seja melhor tirar o designer do contexto da agência de publicidade pra ficar mais fácil entender a diferença entre ele e o diretor de arte.

Fora de uma agência de publicidade o designer geralmente trabalha em escritórios, onde desenvolve programas de identidade visual, embalagens, marcas, capas de livro, capas de CD, relatórios de identidade visual entre outros trabalhos. Tem também o ramo editorial, onde ele pode se dedicar à criação de projetos gráficos ou diagramação de revistas e livros. Acho que o trabalho mais completo e interessante que um designer gráfico pode fazer é a criação da identidade visual, ou da personalidade de uma empresa; trabalho esse que hoje em dia é parte da área que se chama “branding”, ou gestão da marca. Até uns dez anos atrás o produto final desse trabalho era um manual de identidade visual – hoje é um Brand Book, que é um manual de identidade mais completo.

O diretor de arte tem uma função mais fácil de ser explicada. Ele trabalha em agências de publicidade e faz, junto com o redator, campanhas de mídia impressa, rádio e televisão.

O problema é que as necessidades dos clientes não são apenas mídia impressa, rádio e televisão. Eles precisam de relatórios anuais, folhetos, tablóides, criação de submarcas, PDV, etc. E eles pedem muitas vezes que a própria agência faça isso para eles.

É aí que, na maioria das vezes, entra o designer gráfico na agência de publicidade. É ele que faz, dentro da criação, os trabalhos que não são feitos pelos diretores de arte e redatores, ou seja, trabalhos que não são veiculados na mídia.
O mais comum é que exista, dentro da criação, uma “área” responsável pelo design gráfico, com diretor de criação próprio, subordinado ao diretor geral de criação. Essa área geralmente acaba se dedicando 90% do tempo à criação de PDV para os clientes, ou seja, material de ponto-de-venda. Os outros dez por cento dividem-se em criações de marcas promocionais, embalagens, etc.
Acontece que o PDV é, geralmente, uma adaptação de um conceito maior, criado para a campanha. Por isso o que sobra de criação é pouco. Essa é a função clássica dos designers gráficos nas agências: serem responsáveis pelo “departamento” de PDV. E é por isso que nem todos se animam a trabalhar em agências.

Só que, ainda bem, isso tem mudado um pouco nos últimos anos. E por duas razões básicas:
Em primeiro lugar, os diretores de criação e os diretores de arte perceberam que os designers tem uma contribuição maior a dar, com conceitos que podem vir até a influenciar a linguagem das campanhas.
Isso porque os designers possuem uma linguagem gráfica que não se baseia apenas em fotos, e sim em elementos vetoriais. Linguagem essa que nem todos os diretores de arte dominam.
E em segundo lugar porque os clientes passaram a pedir das agências mais trabalhos estratégicos envolvendo a sua marca. E os designers, por terem a experiência que tem com trabalhos envolvendo Identidade e Branding, podem colaborar bastante, mesmo trabalhando junto com o departamento de planejamento.

Outra forma interessante que começa a surgir de se trabalhar é uma criação mais aberta, mais multidisciplinar de verdade, com pessoas diferentes pensando sobre o mesmo problema. Nesse esquema os designers influenciam os diretores de arte em seus trabalhos e vice-versa. Para mim, que já trabalhei quase dez anos no esquema convencional, esse é o sistema que melhores resultado traz para os clientes e mais satisfação dá ao designer. Mas para isso não adianta simplesmente colocar as pessoas num mesmo ambiente. É preciso que elas realmente trabalhem em conjunto, deixando de lado os egos e os vícios. Mas isso é um outro assunto.

4 comments
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4 Comments so far

  1. enio April 15th, 2007 4:54 pm

    Ahn…

    Acho que entendi: DA é aquele que desenha e designer é aquele que desenha também.

    É isso, né?

    =^D

  2. Danilo April 16th, 2007 10:01 am

    É isso aí Ênio, é o mesmo princípio do radialista, que é aquele que ouve rádio…

  3. enio April 16th, 2007 1:46 pm

    não é aquele da chapa de pulmão?

    Hum.

    Dúvida.

    Vou pedir um post pro Foresti…

  4. enio April 16th, 2007 1:47 pm

    (enio não tem acento)

    :o D

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