let’s blogar
Design, propaganda, fotografia, cotidiano e tudo de bom que se encontra por aí…

1 milimeter a day

O que não falta por aí é maluco com ideias esquisitas… mas malucos que colocam ideias esquisitas em prática já é um pouco mais raro. Esse é o caso do fotógrafo Chris Hornbecker que teve a “brilhante” ideia de tirar uma foto por dia só mudando 1mm da distância focal de suas lentes, ele começou com 14mm e foi até 400mm. O resultado desse projeto curioso vc confere no site 1 milimeter a day, tem fotos bem interessantes e vale passear um pouco pela galeria.

Dica do mug9.

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500 fotógrafos

Muito bacana a ideia do fotógrafo holandês Pieter Wisse, ele criou o blog 500 Photographers aonde ele vai indicar 5 fotógrafos por semana até completar 500 fotógrafos depois de 100 semanas. Está virando um belo banco de dados e um ótimo lugar para ver referências. Já são mais de 100 fotógrafos até agora e ainda não tem nenhum brasileiro, mas a gente pode mudar esse cenário, tem um link no blog aceitando sugestões.

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Escultura em folhas

Depois que eu falar como foi feita essas imagens você vai olhar e vai falar, isso é trabalho de chinês preso… então já vou adiantar, é de chinês mesmo, a única diferença é que eles não estão presos. Fiquei impressionado quando ví essas imagens feitas pelo pessoal do Nature’s Art da China e soube que elas são feitas DE VERDADE nas própria folhas. É uma espécie de escultura em que eles vão raspando as folhas, eles raspam cuidadosamente sua superfície sem tirar ou cortar os veios da folha para formar a ilustração, simplesmente incrível.

Via Scene 360.

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Who are you?

“Quem será essa pessoa sentada à minha frente? Who are you? é uma tentativa de responder a essa pergunta. O ponto de partida é sempre um banco de um vagão qualquer num metrô de NYC. Em cada episódio um personagem, que vou seguindo até a porta de sua casa. É sobre buscar entender um pouco essa cidade, quem são as pessoas que sobrevivem aqui, como elas se inventam, ou simplesmente uma desculpa para puxar papo.”

Esse é o projeto do fotógrafo Leandro Badalotti (vale o click), um cara que quando vejo suas fotos me faz sempre lembrar de alguns grandes nomes da fotografia contemporânea, suas fotos de cotidiano são simplesmente invejáveis, gostaria de ter feito cada foto que ele fez. Curiosidade interessante, recentemente ele fez estágio na Magnum Photos em Nova York, o cara esteve nada mais nada menos que no epicentro da fotografia.

Abaixo estão os dois primeiros vídeos desse projeto, é uma mistura de vídeo com fotografia… são como os vídeos multimídias que estão começando a fazer parte do dia-a-dia dos grandes portais de jornalismo, como o New York Times que tem algo parecido (já falei disso aqui). Acho muito interessante esse formato. E fiquem de olho na sua página no vimeo que novos episódios a caminho.

P.S. Reparem na fonte que ele usou nos créditos, é a minha querida Times to Go.

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Enquanto isso…

Gênio.

Dica do LostArt no twitter.

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Oxygen

É como disse a Carla do Massa Cultural, as aulas de química poderiam ficar muito mais divertidas e muito mais esclarecedoras se a gente pudesse aprender com vídeos como esse. Aliás, faz tanto tempo que eu tive aula de química que eu nem lembrava mais que existia tabela periódica… tá vendo como foram uteis as aulas de química? O vídeo foi produzido por Christopher Hendryx como trabalho de tese para o departamento de animação da Ringling College of Art + Design.

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America in color

As fotos abaixo foram feitas entre 1939 e 1943 e são algumas das poucas fotos coloridas tiradas durante a grande Depressão Econômica por qual passou os EUA nessa época. Neste link tem muito mais fotos com suas respectivas descrições, vale a pena dar uma olhada… tanto pelo fato histórico quando pelas ótimas imagens de uma época difícil na América. As fotos foram feitas por fotógrafos que faziam parte da Farm Security Administration/Office of War Information, e hoje são propriedade da Biblioteca do Congresso e foram incluídas em 2006 na exibição Bound of Glory: America in Color.

Dica do Eric no twitter.

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Canon 7D vs. Barbie Video Girl

Se vc pode filmar com um celular porque uma boneca não poderia filmar tb, não é verdade? Tá, vc ainda não precisa jogar sua 5D ou 7D fora, mas tá quase lá… Olha só o comparativo.

Via Brainstorm#9.

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Vitrine interativa

Dá série como coisas simples podem chamar a atenção das pessoas… Gostei!

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A vida como ela é…

É impressão minha ou a vida social de verdade tá ficando sem graça?

Surrupiado do Updater Lorenzo.

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Fotos da II Guerra nos dias de hoje

O fotógrafo russo Sergey Larenkov, na verdade estou chutando que ele seja fotógrafo e russo, escolheu algumas fotos da II Guerra Mundial e tirou fotos dos mesmos lugares aonde elas foram feitas… até aí tudo bem, já tinhamos visto algo assim, mas aí ele teve a ideia de fundir as duas fotos, o resultado ficou bem interessante. Se vc gostou clique aqui para ver mais fotos.



Dica do Valdecir no twitter.

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Zé Colmeia – trailer

Um dos desenhos clássicos da minha infância virou filme, Zé Colmeia e Catatau voltam agora em 3D para estreiar nos cinemas no final do ano nos EUA e em janeiro do ano que vem aqui no Brasil. Com certeza vou levar meus filhos para ver, se é que vc me entende…

Via Omelete.

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Novo Citroen Picasso

Simplesmente genial, não tem o que falar.

Imagem carinhosamente surrupiada do blog da Lia Caldas.

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iPad prancheta

É isso, o iPad tb serve para desenhar, pelo menos para o ilustrador Kyle Lambert, olha só o que ele fez no iPad usando apenas o aplicativo Brushes e seus dedos mágicos. Dá até raiva desses caras… enquanto isso eu aqui apanhando para desenhar uma casinha.

Dica da Simone + Jampa.

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Evolução do cabelo dos Beatles

Essa imagem já está circulando na web faz alguns dias, é simplesmente sensacional a maneira que encontraram para mostrar a transformação dos Beatles através dos anos.

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Férias com iPhone

Meu sumiço por aqui se deve a um simples motivo, semana passada tirei uma mini férias e fugi para o Rio de Janeiro. Peguei de tudo, chuva, sol e até frio no Rio, mas o divertido dessa viagem foi tirar algumas fotos com o iPhone e ir mandando para o twitter para matar todos followers de inveja. Tá, a ideia inicial não era essa, mas a cada foto que eu postava era uma multidão me xingando (com elegância) porque eu estava lá de pernas pro ar enquanto todos estavam trabalhando. Eu só sei de uma coisa, me diverti muito fazendo essas fotos que foram todas tiradas com o iPhone e editadas nele mesmo usando o software Camera+. Gostei muito do resultado, quem quiser ver mais fotos com ela é só fazer uma visitinha na minha galeria do camera+. Tenho outros aplicativos de foto para o iPhone, mas esse é o que tenho mais usado ultimamente, dá pra fazer muita coisa interessante com ele. Divirtam-se…

Óbvio que tb levei minha câmera para a viagem, mas as fotos com feitas com ela vcs vão poder conferir aos poucos lá na minha página no Flickr.

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Vídeo no iPhone 4

Depois que ví esse curta feito pelo diretor Michael Koerbel, que foi totalamente filmado e editado (com iMovie) no iPhone 4, eu fiquei realmente impressionado. Nesse mesmo vídeo vc vai ver o curta e o making of, divirta-se.

Via Brainstorm #9.

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Rango – trailer

Quando ví essa animação, inicialmente achei que era algum curta da Pixar, afinal de contas toda animação bacana que a gente vê por aí é deles. Mas nesse caso não, ela é dos estúdios Paramount e foi dirigidido por Gore Verbinski, o mesmo diretor de Piratas do Caribe. Além disso, Rango, o camaleão em crise de identidade, é dublado pelo “pirata” Johnny Depp. Divertido, confira o trailer:

Dica do Renato Fernandez via twitter.

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Tropa de Elite 2

Acho que não preciso falar nada sobre esse filme, pra quem assistiu ao primeiro pode imaginar como essa continuação tem tudo para ser muito foda. Confiram o trailer:

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Workflow e backup

Esse post é voltado para fotógrafos e videomakers que se preocupam com o seu trabalho, é tb para aqueles que não podem nem pensar em perder um arquivo, ou seja, é pra todo mundo. Óbviamente o que vc vai ver é um mundo ideal, talvez um pouco diferente da nossa realidade já que para os gringos é muito mais fácil e barato adquirir tudo o que eles tem, mas acredito que dá para tirar muitas dicas boas de tudo isso para vc implementar no seu workflow de trabalho. Confira abaixo o vídeo feito pelo fotógrafo Chase Jarvis explicando de uma maneira descontraída como é o seu workflow de trabalho e como é o seu sistema de backup, e depois leia o texto publicado em seu blog aonde vc pode conferir tudo mais detalhado.

Descobri esse post no blog do Vincent Laforet que tem um workflow muito parecido e completa com alguns detalhes de como é o seu próprio workflow.

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Helvetica, o filme

Já falei sobre esse filme algumas vezes aqui no blog, então não vou nem me extender no assunto… portanto se vc ainda não assistiu esse ótimo documentário sobre a fonte Helvetica acabaram as desculpas, tem no vimeo e ainda por cima com legendas em português. Se vc curte design e tipografia não deixe de assistir. E não pense que é um filme só idolatrando a Helvetica, alguns designer tb acabam com ela. É bem interessante ver os dois pontos de vista de alguns dos designers mais importantes da atualidade e do passado.

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Mentawai – by Joey L

O fotógrafo “prodígio” Joey L ataca novamente. Desta vez ele foi fotografar em Mentawai na Indonésia e conta toda sua aventura neste blog especial sobre a viagem… vale a pena ver as fotos no seu seu site (está em “personal”) e conferir abaixo o making of da viagem que mostra um pouco dele em ação fotografando os mentawais.

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Pilot Handwriting

Muito bacana esse aplicativo online que a Pilot (fabricante de canetas) desenvolveu em vc pode transformar sua caligrafia manuscrita em tipografia digital. Assista o vídeo abaixo e veja como funciona o Pilot Handwriting. Só achei meio estranho eles digitalizarem via webcam, o ideial seria escanear com qualidade e enviar pra eles… Se alguem testar conta pra gente se deu certo.

Via Update or Die.

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The Illusionist

No meio de tantos 3Ds o desenho tradicional acabou ficando esquecido, desenhos como esse são colírios para os olhos, simplesmente lindo. Não poderia ser diferente, o filme é do mesmo diretor de The Triplets of Belleville, confira o trailer e divirta-se.

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HyperactiviTypographic

HyperactiviTypographic Form A to Z é um dos livros de tipografia mais bacanas que eu já vi, devia ser obrigatório nas faculdades de design, apesar de ser uma brincadeira ele seria um ótimo livro pra ser usado em sala de aula, está cheio de exercícios e brincadeiras, aprenda tipografia se divertindo. Ge-ni-al. Eu quero, pena que está fora de estoque, mas no site vc consegue ver o livro inteiro.

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Inspired by Iceland

A primeira vez que ouvi falar de Iceland foi há alguns anos atrás quando entrei no Flickr e comecei a acompanhar as belíssimas fotos da Rebekka que mora na ilha. Apesar de sempre ver fotos com cenários incríveis nunca tinha dado muita bola e nem tinha surgido aquela curiosidade de conhecer o lugar. Dá uma espiadinha no flickr da Rebekka para ver essas fotos ampliadas:

© Rebekka Guðleifsdóttir

Aí eis que surge um vídeo/campanha convidando a gente para conhecer Iceland. Babei, já entrou para minha lista de lugares que eu quero conhecer, e óbviamente fotografar.

Conheça algumas histórias sobre o lugar e saiba mais no site Inspired by Iceland.

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Light Warfare

Mais um vídeo divertido utilizando a técnica de light painting, desta vez uma guerra de luzes… o vídeo já ultrapassou o primeiro milhão de views no Youtube, impressionante. Se vc quiser saber mais como foi feito não deixe de assistir o behind the scenes.

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iPad magic

Já ví de tudo com o iPad, mas esse japa fazendo mágica com ele parece brincadeira…

Via Update or Die.

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Skateistan

No verão de 2009 o fotógrafo Noah Abrams foi para o Afeganistão para registrar a emergente cena do skate no país, óbviamente ele não voltou só com isso na bagagem.

“Intitulado “Skateistan”, o trabalho se integra com outra produção, a de um documentário sobre a escola de mesmo nome, que une skate e educação em Kabul. Você pode ver o trailer do documentário abaixo, e não deixe de conferir as fotos no site noahabrams.com. O fotógrafo revela que mais do que garotos e seus brinquedos, o que encontrou foi um sopro de vida no país destruído pelas bombas. Via Brainstorm9.

Confira abaixo trailer do documentário e para ver mais fotos é só ir no site do Noah Abrams , clicar em “projects” e depois em “Skateistan”.

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Lost – tentando entender

Se vc não terminou de ver a série pare de ler AGORA, é spoiler puro.

Muita gente acabou de ver Lost e ficou cheio de dúvidas, acabei de ler um texto publicado como comentário no Legendado e “surrupiei” para colocar aqui e dividir com vcs. Cada um tem interpretado de alguma maneira, mas esse texto foi um dos melhores que eu lí até agora, óbvio que não responde tudo, mas ajuda a clarear muita coisa… O responsável pelo texto chama-se Ricardo Longo.

Essa é minha tentativa de dar uma interpretação sobre cada uma das grandes questões de Lost.
IMPORTANTE: Tudo aqui é MINHA interpretação da série. E ao que consta, fiquei muito feliz que uma de minhas séries preferidas me deu um fim críptico, misterioso e aberto a interpretações (exatamente como a série sempre foi). Tinha muito medo de não gostar do final; achava que estragariam tudo com algo mais focado nos mistérios inexplicáveis da realidade peculiar da série do que na melhor coisa dela: os personagens. Tive uma grata surpresa.


Assim que Jack fechou os olhos pela última vez, fiquei meio pasmo – muitas dúvidas, tudo muito rápido, muita informação pra digerir de vez. Mas as questões continuaram girando na minha cabeça, as conexões (muitas vezes óbvias, é verdade) continuaram sendo feitas.
No fim das contas, a verdade é que eu considero um fim perfeito para a obra prima que é Lost. Na minha opinião, claro – como todas as respostas a seguir.


• O que é a ilha?
A ilha é onde fica a “luz”. Então a pergunta é: o que é a “luz”? Isso é fácil, respondido na própria série: é a fonte de toda a vida. Segundo Jacob, tem um pouco da luz dentro de cada pessoa – isso, na minha interpretação, é uma alegoria para o que se convencionou chamar de “alma”. Sendo a localização da luz, a ilha tem propriedades bem peculiares, que incluem características de cura, ressureição, imortalidade, distorção do eixo espaço/tempo etc, além dela ser um “hub” de energia eletromagnética. Claro, essa fonte de vida não pode ser deixada à toa, sem um guardião. O que nos leva à próxima pergunta…


• Quem são Jacob e o “Homem de Preto”?
Irmãos, ambos nasceram humanos, mas foram “adotados” por uma personagem sem nome, chamada apenas de “Mãe”. A “Mãe” era a divindade guardiã da luz. Antes dela, provavelmente existiram inúmeros outros guardiões, sempre passando adiante a função de proteger a ilha quando sua hora chegava. Essa é uma discussão bem ampla, e tentar adivinhar quem foi o guardião original é o mesmo que discutir quem criou o universo. A Mãe adotou Jacob e seu irmão para achar um “sucessor”, quando a hora dela se licenciar de sua função finalmente chegasse. Circunstâncias mostradas no episódio “Across the Sea” levaram a Jacob ser o escolhido, herdando a função da mãe e se tornando efetivamente uma divindade. O “Homem de Preto”, ao ser preterido, se tornou uma espécie de “sub-divindade”, com poderes sobrehumanos e imortalidade (ambos dados a ele pela própria Mãe), mas sem o papel de “árbitro” dado a Jacob. Quem quer simplificar, pode dizer que Jacob ocupou a função do que se convencionou chamar de “Deus”. Note-se que essa versão de “Deus” não significa bondade absoluta ou mesmo onipotência. O próprio episódio “Across the Sea” nos mostrou que essa noção maniqueísta de “bem e mal” não se aplica a Lost. Da mesma maneira, Jacob não parece ser onipotente. Ele tem o poder de arquitetar diversas coisas (como a queda do avião, por exemplo), mas não parece ter capacidade de mudar todos os detalhes (existiam pessoas no avião que não precisavam necessariamente estar na ilha).


• Por que o “Homem de Preto” não podia deixar a ilha?
O “Homem de Preto” optou pelo livre arbítrio, renegando a função preparada pra ele pela Mãe e escolhendo conhecer o mundo além-mar. Porém, sua mãe havia feito dele o seu candidato preferido a ocupar a função de guardião, e por isso não permitiu sua saída da ilha (mais uma vez, uma demonstração de um Deus imperfeito). Uma vez que Jacob herdou o posto de guardião, ele teve atitudes que fizeram seu irmão morrer (vejam, por exemplo, os corpos do Homem de Preto e da Mãe, que viraram o “Adão e Eva” mencionado por Locke). Porém, uma parte dele sobreviveu – o rancor e o sentimento de vingança que ele sentia no momento de sua morte. Assim, nasceu a “fumaça negra”, é uma a personificação dos sentimentos ruins. Sendo originária do “Homem de Preto”, ela mantinha o desejo de deixar a ilha. Porém, são óbvias as implicações de se ter uma personificação dos sentimentos ruins andando livremente pela Terra. Para ele sair da ilha, a “luz” teria que ser destruída, o que provavelmente destruiria a vida e a realidade como a conhecemos.


• Por que o avião caiu na ilha?
Essa também foi respondida com todas as palavras na série. Jacob, como “árbitro”, os trouxe até a ilha para escolher entre eles o seu sucessor. O próprio Jacob explicou, no penúltimo episódio (”What They Died For”) a razão por ter escolhido aquelas pessoas específicas – todas elas eram solitárias de alguma maneira, como ele próprio, e precisavam de um sentido maior em suas vidas.


• O que eram os números?
Jacob tinha uma lista com os nomes de todos os seus possíveis sucessores. Porém, conhecendo o erro da Mãe em escolher ela própria um sucessor, Jacob escolheu deixar o livre arbítrio atuar. Vários nomes foram sendo riscados da lista ao longo do tempo, porque o próprio livre arbítrio dos donos desses nomes os levavam a outros caminhos. Os seis números eram os números atribuídos aos seis últimos candidatos na lista de Jacob – Jack, Sawyer, Kate, Locke, Hurley e “Kwon” (não se sabe se era Jin ou Sun). Alguns desses foram riscados depois – Locke porque morreu; Kate porque virou mãe, e assim deixou de ser uma pessoa solitária. Porém, como o próprio Jacob esclareceu, bastava Kate escolher por livre arbítrio ocupar a função para que ela fosse novamente uma candidata. A lista era um “guia”, e não um livro de regras propriamente dito.


• O que era a “realidade paralela”?
Mais um tópico explicado com todas as letras na série. resposta curta: é o purgatório. Resposta longa: basicamente, é algo que aconteceu muitos anos no futuro, quando todos já estavam mortos. É uma realidade criada coletivamente pelas mentes de todos que estavam na igreja, para que eles pudessem se reencontrar e seguir em frente. No universo da série, só se consegue “seguir em frente” e deixar o “purgatório” juntamente com as pessoas que estiveram presentes nos momentos mais importantes de sua vida. No caso dos que estavam na “igreja”, esse momento era o que aconteceu, muitos anos antes, na ilha. Juntos, puderam seguir em frente. importante notar também que é por isso que personagens randômicos dos 6 anos de série subitamente apareciam na realidade paralela. Eram personagens que tinham a ver com todas as mentes que criaram aquela realidade.


• Então, por que Michael, Ana Lucía e outros não estavam presentes? E porque Ben não entrou na igreja?
Todos esses personagens não seguiram em frente pelo mesmo motivo: ainda tinham assuntos pendentes. Todos cometeram atos cruéis em vida, e ainda não tinham conseguido a redenção por esses atos. Resumindo, eles ainda têm tempo a pagar no “purgatório”. Como disse Desmond, “ainda não estavam prontos”.


• E Daniel Faraday, porque não entrou na Igreja? E Miles? Charlotte?
Porque esses personagens não fizeram parte da maioria dos momentos que levaram aquelas pessoas a estarem juntas na igreja. Eles provavelmente tinham outra “igreja” pra ir, se encontrar (inclusive com Lapidus, talvez), “lembrar e seguir em frente”.


• Por que Desmond conseguia viajar no tempo?
Desmond tinha uma caracteristica peculiar: ele era resistente à energia eletromagnética. No universo da série, esse tipo de energia é o que controla o eixo temporal. Por ser aparentemente um bolso de energia eletromagnética (daí a sua resistência à mesma), Desmond conseguia ter espasmos de viagem no tempo. Porém, como ele mesmo disse inúmeras vezes, “o que está feito, está feito”, o que significa que ele não pode alterar nada no eixo temporal. Isso inclusive ocasionou o melhor episódio da série pra mim, “The Constant”.


• O que isso tem a ver com a capacidade de Desmond em descer até a “luz”?
A resistência à energia eletromagnética fez de Desmond uma peça-chave nos planos dos dois irmãos, porque só alguém com esse tipo de resistência poderia descer até a luz sem ser morto. O “Homem de Preto” precisava de Desmond para descer até a luz e apagá-la pra sempre. Jacob precisava dele para apagá-la por um momento, para que o Homem de Preto perdesse sua imortalidade e pudesse ser finalmente morto (no caso, por Kate e Jack). Feito isso, Jacob precisava de alguém para se sacrificar, voltando até a luz apagada para reacendê-la. Esse mártir veio a ser Jack.


• Por que Desmond conseguia ver a “realidade paralela”?
Isso é nada mais do que algo que Desmond fez a série inteira: ele tinha visões do futuro. Porém, ele não entendia exatamente o que era aquela outra realidade e, como os telespectadores, acreditava se tratar de uma realidade paralela, para onde ele podia levar todos ali. Ironicamente, Desmond achava que, descendo até a “luz”, ele acharia o caminho até essa outra realidade. Ele realmente achou, mas não da maneira que esperava.


• E as pessoas que só existem na realidade paralela? Exemplo: filho de Jack?
O filho de Jack, pra mim, simboliza um desejo que ele nunca pôde realizar. E olha só quem era a mãe: Juliet. Que também nunca pode realizar esse desejo. E que teve um pequeno início de relação com Jack, que também jamais pôde florescer. Coincidência?


• E Walt? CADÊ WALT?
Sinceramente, nunca entendi essa obsessão com esse personagem. Ele era um pirralho paranormal, que foi à ilha com seu pai, mas saiu muito antes de todos os outros, nunca participou dos eventos verdadeiramente grandes na ilha, e teve uma vida inteira pela frente, com seus próprios grandes momentos. Jamais foi de grande importância para a mitologia da série. O que, exatamente, resta de mistério com relação a ele?


• Tá, e o que a realidade paralela tem a ver com a ilha?
Parece que tudo o que aconteceu na ilha em seis anos de série, no fim das contas, não serviu pra nada.?Essa é mais uma questão que eu não entendo. As pessoas, por alguma razão, se sentiram lesadas pelo fato de que a realidade paralela acontecia, na verdade, em um futuro muito distante. A sua única ligação direta com a ilha era a memória dos seus participantes. Isso, pra mim, é ter TUDO a ver com a ilha. A ilha é o centro da vida de todas as pessoas que estavam dentro da igreja. Tudo o que aconteceu na ilha, em seis anos de série, serviu para que aqueles personagens tivessem participado de eventos cataclísmicos juntos, desvendando mistérios sobre a própria natureza de tudo que existe. Esse elo fortíssimo entre os personagens é o que levou a cena final, onde todos têm que se reencontrar. Se não fosse o que aconteceu na ilha, a “realidade paralela” jamais precisaria acontecer.


• OK, mas eu esperava que as realidades fossem se intercalar de alguma maneira (tirando Desmond, que sempre pôde ver o futuro mesmo).
Justamente. Eu também. E foi isso que me deixou boquiaberto ao perceber que não era bem assim. Um plot twist. Os roteiristas levam você por um caminho, para no fim jogar uma revelação que muda tudo. Um dos utensílios mais comuns na arte de se contar uma história. Nada de novo aqui.


• Pelo menos o final poderia não ter sido tão feliz.?Última cena: Jack, vendo o avião se salvar com seus amigos (e o seu amor), fechando os ollhos e finalmente morrendo. Nós, telespectadores, sabendo que ele não vai poder ter uma vida ao lado de Kate, que só vai reencontrar todo mundo ali em muitos, muitos anos. Rapaz, se isso é final feliz, eu não sei o que é fim triste.


****
Percebam que tudo o que eu escrevi aqui tem uma ligação muito nítida: os personagens. A ilha, os mistérios, a origem da vida – tudo isso sempre foi um pano de fundo fantástico para o real ponto forte da série, que é a história pessoal de cada um ali, e como elas se intercalam.


Foi muito gratificante descobrir a resposta pra cada mistério. Porém, mais gratificante foi ver como Jack, originalmente um mártir covarde, fraco e adepto da ciência, se manteve um mártir, mas se tornou corajoso, forte e deu pelo menos um pouco de crédito à fé. Ou como Locke, mesmo com todas as mudanças na sua vida, sempre foi enganado e subestimado em toda a sua vida, até mesmo quando ele imaginava ser realmente especial. Ou como Charlie, originalmente o rockstar presunçoso e cheio de si, demonstrou ser uma pessoa de coração bom e morreu pra salvar a mulher que amava. Ou Richard Alpert, aparentemente um imortal frio e calculista, foi revelado como um sobrevivente de história tristíssima. Não vou nem entrar no mérito das inúmeras redenções de Sayid, ex-torturador do exército iraquiano, ao longo da série.


E o que dizer de meu personagem preferido, Desmond Hume? Pra mim, a verdadeira epopéia que ele sofreu para conseguir estar ao lado de Penny, amor de sua vida, é muito mais significativa e importante do que qualquer explicação que pudessem dar sobre sua resistência ao eletromagnetismo, suas viagens no tempo, e qualquer outro detalhe que tenha a ver com os grandes mistérios da série.
Desenvolvimento dos personagens > explicação detalhada de mistérios sobrenaturais.


Isso é o que eu acho. Fico feliz que Calton e Damon pensaram, aparentemente, da mesma maneira, e conseguiram dessa maneira me dar uma série que provavelmente é a melhor que eu já vi


E como tudo em Lost é aberto a interpretação… qualquer um, claro, tem todo o direito de discordar.

Ricardo Longo.

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